Dois ventiladores tentam cumprir, na sala de reuniões do gabinete da Fundação Biblioteca Nacional, o papel que caberia a um dos antiquíssimos aparelhos de ar condicionado da instituição –posicionado, inerte, ali perto.
É um sintoma do aniversário indesejável que a instituição –detentora do oitavo maior acervo do mundo–, faz neste mês. Completa um ano sem ar-condicionado, desde que o vazamento de um aparelho inundou um andar.
É um mês de decisões emergenciais. Com a saída das políticas de livro e leitura da estrutura da FBN -estas ficarão no MinC, sob comando do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL)-, é preciso redesenhar o organograma.
As mudanças começaram com a decisão da ministra Marta Suplicy (Cultura) de demitir Galeno Amorim da presidência da FBN, em março.
Agora, o cientista político Renato Lessa, recém-empossado na biblioteca, e o novo secretário-executivo do PNLL, José Castilho Marques Neto, precisam definir, até o dia 31 de maio, a divisão do orçamento entre as duas áreas –para então iniciarem os trabalhos práticos.
Lessa assume a biblioteca, em estado crítico, e, ao mesmo tempo, a organização da participação brasileira na Feira do Livro de Frankfurt, a mais importante do mercado editorial, em outubro. Não gosta do modelo. “Não há contrapartida das editoras, o governo paga tudo”, diz.